Escopo 1, 2 e 3: Entenda as Diferenças e Como Calcular Cada Um

O que são os escopos de emissão
O GHG Protocol divide as emissões de gases de efeito estufa em três escopos para evitar dupla contagem e garantir transparência. Essa classificação é usada globalmente e é a base do SBCE, do CBAM e de frameworks como CDP, CSRD e SBTi.
Entender corretamente cada escopo não é apenas uma questão técnica — é estratégico. O escopo determina quais emissões são obrigatórias no SBCE, quais afetam o CBAM nas exportações e quais são exigidas por investidores e stakeholders.
Escopo 1: emissões diretas
Definição: Emissões de fontes que a empresa possui ou controla diretamente. São as emissões que saem das suas chaminés, caldeiras, fornos, frotas e processos industriais.
Exemplos por setor: Na siderurgia, a redução do minério de ferro com coque nos altos-fornos. No cimento, a calcinação do calcário e a queima de combustíveis nos fornos rotativos. Na química, as reações de processo e a queima de gás natural. Na mineração, diesel da frota de caminhões e explosivos. Na energia, queima de combustíveis fósseis em termelétricas.
Metodologias de cálculo: Medição direta (CEMS — Continuous Emission Monitoring Systems) para grandes emissores. Balanço de massa para processos químicos. Fatores de emissão aplicados ao consumo de combustíveis e matérias-primas. O SBCE exigirá Planos de Monitoramento específicos para Escopo 1.
Escopo 2: emissões indiretas de energia
Definição: Emissões provenientes da geração de energia elétrica, vapor, calor ou resfriamento adquiridos pela empresa. A empresa não emite diretamente, mas causa a emissão ao consumir energia.
Dois métodos de cálculo: O método baseado em localização usa o fator de emissão médio da rede elétrica nacional (no Brasil, o fator do SIN publicado pelo MCTI). O método baseado no mercado considera contratos específicos de energia — como PPAs de energia renovável — e pode resultar em Escopo 2 zero para quem compra 100% energia limpa certificada.
No Brasil, o Escopo 2 baseado em localização é relativamente baixo devido à matriz elétrica predominantemente renovável (83% hidro, eólica e solar). Mas isso pode mudar em anos secos quando termelétricas entram no sistema.
Escopo 3: emissões da cadeia de valor
Definição: Todas as outras emissões indiretas que ocorrem na cadeia de valor da empresa, tanto a montante (upstream) quanto a jusante (downstream). O GHG Protocol define 15 categorias de Escopo 3.
Categorias mais relevantes para indústrias: Categoria 1 — Bens e serviços adquiridos (matérias-primas, insumos). Categoria 3 — Atividades relacionadas a combustíveis e energia. Categoria 4 — Transporte e distribuição upstream. Categoria 9 — Transporte e distribuição downstream. Categoria 10 — Processamento de produtos vendidos. Categoria 11 — Uso de produtos vendidos. Categoria 12 — Tratamento de fim de vida.
Por que o Escopo 3 é crítico: Para a maioria das indústrias, o Escopo 3 representa 60-90% das emissões totais. O CBAM exige emissões incorporadas que incluem parte do Escopo 3 dos fornecedores. A CSRD e o CDP exigem reporte de Escopo 3 material. O SBTi exige metas de Escopo 3 quando este representa mais de 40% das emissões.
Erros comuns na classificação de escopos
Classificar emissões de cogeração como Escopo 2 quando são Escopo 1. Ignorar emissões fugitivas (SF6, refrigerantes) no Escopo 1. Usar apenas o método de localização para Escopo 2 quando há PPAs. Estimar Escopo 3 com médias setoriais quando dados reais estão disponíveis. Não incluir transporte próprio terceirizado como Escopo 3.
Como automatizar o cálculo dos três escopos
O CarbonOS da Carbonova automatiza o cálculo dos três escopos integrando-se diretamente aos sistemas operacionais: ERP para consumo de combustíveis e matérias-primas (Escopo 1), contratos de energia e dados do SIN (Escopo 2), e dados de fornecedores e logística (Escopo 3). Os agentes de IA mantêm os fatores de emissão atualizados e detectam inconsistências automaticamente.
Agende uma demonstração e veja como o CarbonOS calcula os três escopos continuamente, com trilha de auditoria completa.


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