Net Zero Industrial: O Roadmap Prático para Empresas Brasileiras Alcançarem Emissões Líquidas Zero

Net zero vs carbono neutro: a diferença crítica
Carbono neutro significa compensar 100% das emissões com créditos de carbono, sem necessariamente reduzi-las. Uma empresa pode ser "carbono neutra" emitindo o mesmo tanto e comprando créditos para compensar.
Net zero é fundamentalmente diferente. Segundo o padrão SBTi (Science Based Targets initiative), net zero exige redução de pelo menos 90% das emissões em relação ao ano-base, com apenas os 10% residuais sendo neutralizados via remoções permanentes de carbono. Compensação com créditos de redução não conta.
Essa distinção é crítica: net zero exige transformação real das operações, não apenas compra de créditos.
O framework SBTi para net zero
O SBTi é o padrão mais crídivel e aceito para metas climáticas corporativas. Seu framework de net zero exige: metas de curto prazo (5-10 anos) com reduções anuais de 4,2% para limitar aquecimento a 1,5°C, metas de longo prazo com redução de 90%+ até 2050, neutralização dos ~10% residuais via remoções permanentes (não compensações), e cobertura dos três escopos (1, 2 e 3).
Por que isso importa no Brasil: Investidores internacionais, importadores europeus (via CBAM) e a própria CVM estão exigindo metas baseadas em ciência. Empresas com metas SBTi terão acesso preferencial a capital e mercados.
Construção do roadmap por setor
Siderurgia: Curto prazo — eficiência energética, recuperação de calor, otimização de processos. Médio prazo — aumento de sucata no mix (rota EAF), eletrificação, biomassa como redutor. Longo prazo — hidrogênio verde como redutor, CCUS, aço verde.
Cimento: Curto prazo — coprocessamento de resíduos, eficiência térmica. Médio prazo — clínqueres alternativos (LC3, belite), biomassa. Longo prazo — CCUS (essencial pois emissões de processo não podem ser eliminadas), cimentos carbono-negativos.
Química: Curto prazo — eficiência energética, eletrificação de utilidades. Médio prazo — matérias-primas renováveis, reciclagem química. Longo prazo — eletrólise para hidrogênio, e-fuels, CCUS.
Mineração: Curto prazo — eletrificação de frota (caminhões elétricos), PPAs renováveis. Médio prazo — automação e otimização de rotas, transporte por correia. Longo prazo — frota 100% elétrica, operações autônomas, mineralização de carbono.
Financiamento da transição
O roadmap net zero exige investimentos significativos, mas diversas fontes de financiamento estão disponíveis: green bonds e sustainability-linked bonds, linhas de crédito do BNDES para descarbonização, fundos climáticos internacionais, economia gerada por eficiência energética e receita de créditos de carbono (CRVEs e voluntários).
O papel do CarbonOS no roadmap net zero
O Decarbonization Planner do CarbonOS modela trajetórias net zero alinhadas ao SBTi: gera curvas MAC customizadas por instalação, modela cenários de investimento e retorno, monitora progresso contra metas em tempo real, e integra com análise de risco climático e compliance regulatório (SBCE, CBAM, CSRD).
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