Guia
18.02.2026

O Guia Definitivo do Inventário de Carbono para Indústrias no Brasil

Tudo que sua empresa precisa saber sobre inventário de emissões de GEE: da obrigatoriedade legal à automação com IA. Com o SBCE tornando o reporte obrigatório para empresas acima de 10 mil tCO₂e/ano e o CBAM exigindo dados de emissões incorporadas para exportadores, o inventário de carbono deixou de ser opção e se tornou infraestrutura crítica. Este guia cobre metodologias, escopos, erros comuns, setores prioritários e como a tecnologia está transformando o processo.
Por que o inventário de carbono é a base de tudo

Sem medir, não é possível gerenciar. Essa máxima, repetida em gestão empresarial, é ainda mais verdadeira quando falamos de emissões de gases de efeito estufa. O inventário de carbono é o ponto de partida para qualquer estratégia climática: compliance regulatório, descarbonização, geração de créditos, comunicação ESG e acesso a financiamento verde.

Em 2024, o Brasil deu um passo histórico com a aprovação da Lei 15.042/24, que criou o SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões). Com isso, empresas que emitem mais de 10 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano passam a ser obrigadas a elaborar e reportar inventários anuais. Paralelamente, o CBAM europeu exige que exportadores comprovem emissões incorporadas em produtos como aço, cimento e alumínio.

O que é um inventário de emissões de GEE

O inventário de emissões de GEE é o levantamento sistemático de todas as fontes de emissão de uma organização, quantificando os gases emitidos em toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e). Ele segue metodologias padronizadas — principalmente o GHG Protocol e a ISO 14064 — e organiza as emissões em três escopos.

Escopo 1 — Emissões Diretas: Combustão de combustíveis fósseis (caldeiras, fornos, veículos), emissões de processos industriais (calcinação, redução de minério), emissões fugitivas (refrigeração, equipamentos pneumáticos, SF6).

Escopo 2 — Energia Adquirida: Emissões associadas à eletricidade, vapor, calor ou resfriamento comprados. No Brasil, o fator de emissão varia conforme o mix da rede elétrica (que muda com chuvas e despacho de térmicas). Duas abordagens: location-based (fator médio da rede) e market-based (considerando contratos de energia renovável e RECs).

Escopo 3 — Cadeia de Valor: Tipicamente 70-90% da pegada total. Inclui 15 categorias: bens e serviços adquiridos, transporte upstream/downstream, viagens corporativas, uso de produtos vendidos, investimentos. É o mais desafiador de calcular, exigindo dados de fornecedores e estimativas quando dados primários não estão disponíveis.

Quem é obrigado no Brasil

Com o SBCE, a obrigatoriedade atinge:

Fase 1 (imediata): Empresas com emissões acima de 25 mil tCO₂e/ano devem elaborar inventários e Planos de Monitoramento.

Fase 2 (progressiva): Empresas entre 10 mil e 25 mil tCO₂e/ano entram gradualmente.

Setores prioritários: Siderurgia, cimento, química, energia termelétrica, mineração, papel e celulose, alumínio, vidro.

Além do SBCE, exportadores para a UE precisam atender ao CBAM (com dados de emissões incorporadas por produto) e empresas com atuação europeia devem se adequar à CSRD.

Metodologias: GHG Protocol vs ISO 14064

O GHG Protocol é o padrão mais adotado globalmente e no Brasil (via PBGHG/FGV). Oferece ferramentas de cálculo gratuitas, fatores de emissão e o sistema de selos (Ouro/Prata/Bronze). É a base para CDP, SBTi e TCFD.

A ISO 14064 é uma norma internacional auditável, dividida em três partes: quantificação de emissões (Parte 1), projetos de redução (Parte 2) e verificação (Parte 3). É mais usada quando há exigência de verificação por terceiros.

Na prática, as duas são compatíveis. Empresas que reportam pelo GHG Protocol podem facilmente atender à ISO 14064 com ajustes mínimos.

Os 7 erros mais comuns em inventários de carbono

1. Fatores de emissão desatualizados: Usar fatores de anos anteriores ou de outros países pode distorcer resultados em 10-30%.

2. Ignorar emissões fugitivas: Gases refrigerantes e SF6 podem representar 5-15% do Escopo 1 em indústrias, mas são frequentemente esquecidos.

3. Não considerar sazonalidade do grid: O fator de emissão da rede elétrica brasileira varia drasticamente entre período seco (mais térmicas) e chuvoso (mais hidrelétricas).

4. Escopo 3 superficial: Extrapolar dados de um fornecedor para toda a cadeia sem ajustes setoriais ou regionais.

5. Processo anual retroativo: Fazer o inventário uma vez por ano, com meses de atraso, perde a oportunidade de usar dados para decisões operacionais.

6. Falta de rastreabilidade: Sem trilha de auditoria clara, o inventário não resiste a verificações externas.

7. Limites organizacionais incorretos: Não definir claramente se o inventário usa abordagem de controle operacional, controle financeiro ou equity share.

Inventário de carbono por setor industrial

Siderurgia: Emissões concentradas em Escopo 1 (altos-fornos, coqueria, aciaria). Brasil tem vantagem competitiva pelo uso de carvão vegetal em ~10% da produção. Desafio: comprovar emissões reais vs. default values do CBAM.

Cimento: ~60% das emissões vêm da calcinação do calcário (emissão de processo, não energética). Alavancas: coprocessamento, clínquer substituto, CCUS.

Mineração: Emissões distribuídas entre frota diesel, processamento mineral e energia. Desafio: operações remotas com dados dispersos.

Química: Emissões de processo complexas com múltiplas reações químicas. Requer granularidade por linha de produção.

Energia: Termelétricas dominam Escopo 1. Renováveis focam em Escopo 3 (cadeia de suprimentos de equipamentos).

Da planilha à inteligência: como a IA transforma o inventário

O modelo tradicional de inventário — consultoria anual, planilhas manuais, relatórios retrospectivos — não escala para o novo cenário regulatório. Com SBCE, CBAM e CSRD exigindo dados contínuos, auditáveis e granulares, a automação se torna infraestrutura crítica.

O CarbonOS da Carbonova opera com agentes de IA especializados que automatizam cada etapa:

Coleta: O Signal Ingest Agent conecta-se a ERP, SCADA, IoT e medidores para normalizar dados de múltiplas fontes.

Cálculo: O Carbon Intelligence Agent calcula emissões continuamente usando +50 mil fatores de emissão globais, detecta anomalias e mantém o ledger de carbono atualizado.

Reporte: O Compliance Agent gera relatórios prontos para GHG Protocol, ISO 14064, SBCE, CBAM, CSRD e CDP simultaneamente.

Ação: O Decarbonization Planner sugere trajetórias de redução baseadas nos dados do inventário, com curvas de abatimento marginal e cenários financeiros.

O resultado: inventário que não é apenas um relatório anual, mas uma ferramenta de gestão operacional em tempo real.

Próximos passos para sua empresa

1. Avalie sua situação: Sua empresa emite mais de 10 mil tCO₂e/ano? Exporta para a UE? Tem investidores que exigem CDP/ESG?

2. Defina limites e metodologia: Escolha entre controle operacional ou financeiro. Adote GHG Protocol como base.

3. Mapeie fontes de dados: Identifique onde estão os dados de consumo de combustíveis, energia, processos e cadeia de valor.

4. Automatize: Substitua planilhas por plataforma integrada que conecte dados operacionais ao cálculo de emissões.

5. Use dados para decidir: Transforme o inventário de exercício de compliance em ferramenta de redução de custos e geração de receita.

Agende uma demonstração do CarbonOS e veja como automatizar seu inventário de carbono com IA — do dado bruto ao relatório auditado.

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Especialista em carbono da equipe CarbonovaConsultor de sustentabilidade da equipe Carbonova
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