O Guia Definitivo do Inventário de Carbono para Indústrias no Brasil

Por que o inventário de carbono é a base de tudo
Sem medir, não é possível gerenciar. Essa máxima, repetida em gestão empresarial, é ainda mais verdadeira quando falamos de emissões de gases de efeito estufa. O inventário de carbono é o ponto de partida para qualquer estratégia climática: compliance regulatório, descarbonização, geração de créditos, comunicação ESG e acesso a financiamento verde.
Em 2024, o Brasil deu um passo histórico com a aprovação da Lei 15.042/24, que criou o SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões). Com isso, empresas que emitem mais de 10 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano passam a ser obrigadas a elaborar e reportar inventários anuais. Paralelamente, o CBAM europeu exige que exportadores comprovem emissões incorporadas em produtos como aço, cimento e alumínio.
O que é um inventário de emissões de GEE
O inventário de emissões de GEE é o levantamento sistemático de todas as fontes de emissão de uma organização, quantificando os gases emitidos em toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e). Ele segue metodologias padronizadas — principalmente o GHG Protocol e a ISO 14064 — e organiza as emissões em três escopos.
Escopo 1 — Emissões Diretas: Combustão de combustíveis fósseis (caldeiras, fornos, veículos), emissões de processos industriais (calcinação, redução de minério), emissões fugitivas (refrigeração, equipamentos pneumáticos, SF6).
Escopo 2 — Energia Adquirida: Emissões associadas à eletricidade, vapor, calor ou resfriamento comprados. No Brasil, o fator de emissão varia conforme o mix da rede elétrica (que muda com chuvas e despacho de térmicas). Duas abordagens: location-based (fator médio da rede) e market-based (considerando contratos de energia renovável e RECs).
Escopo 3 — Cadeia de Valor: Tipicamente 70-90% da pegada total. Inclui 15 categorias: bens e serviços adquiridos, transporte upstream/downstream, viagens corporativas, uso de produtos vendidos, investimentos. É o mais desafiador de calcular, exigindo dados de fornecedores e estimativas quando dados primários não estão disponíveis.
Quem é obrigado no Brasil
Com o SBCE, a obrigatoriedade atinge:
Fase 1 (imediata): Empresas com emissões acima de 25 mil tCO₂e/ano devem elaborar inventários e Planos de Monitoramento.
Fase 2 (progressiva): Empresas entre 10 mil e 25 mil tCO₂e/ano entram gradualmente.
Setores prioritários: Siderurgia, cimento, química, energia termelétrica, mineração, papel e celulose, alumínio, vidro.
Além do SBCE, exportadores para a UE precisam atender ao CBAM (com dados de emissões incorporadas por produto) e empresas com atuação europeia devem se adequar à CSRD.
Metodologias: GHG Protocol vs ISO 14064
O GHG Protocol é o padrão mais adotado globalmente e no Brasil (via PBGHG/FGV). Oferece ferramentas de cálculo gratuitas, fatores de emissão e o sistema de selos (Ouro/Prata/Bronze). É a base para CDP, SBTi e TCFD.
A ISO 14064 é uma norma internacional auditável, dividida em três partes: quantificação de emissões (Parte 1), projetos de redução (Parte 2) e verificação (Parte 3). É mais usada quando há exigência de verificação por terceiros.
Na prática, as duas são compatíveis. Empresas que reportam pelo GHG Protocol podem facilmente atender à ISO 14064 com ajustes mínimos.
Os 7 erros mais comuns em inventários de carbono
1. Fatores de emissão desatualizados: Usar fatores de anos anteriores ou de outros países pode distorcer resultados em 10-30%.
2. Ignorar emissões fugitivas: Gases refrigerantes e SF6 podem representar 5-15% do Escopo 1 em indústrias, mas são frequentemente esquecidos.
3. Não considerar sazonalidade do grid: O fator de emissão da rede elétrica brasileira varia drasticamente entre período seco (mais térmicas) e chuvoso (mais hidrelétricas).
4. Escopo 3 superficial: Extrapolar dados de um fornecedor para toda a cadeia sem ajustes setoriais ou regionais.
5. Processo anual retroativo: Fazer o inventário uma vez por ano, com meses de atraso, perde a oportunidade de usar dados para decisões operacionais.
6. Falta de rastreabilidade: Sem trilha de auditoria clara, o inventário não resiste a verificações externas.
7. Limites organizacionais incorretos: Não definir claramente se o inventário usa abordagem de controle operacional, controle financeiro ou equity share.
Inventário de carbono por setor industrial
Siderurgia: Emissões concentradas em Escopo 1 (altos-fornos, coqueria, aciaria). Brasil tem vantagem competitiva pelo uso de carvão vegetal em ~10% da produção. Desafio: comprovar emissões reais vs. default values do CBAM.
Cimento: ~60% das emissões vêm da calcinação do calcário (emissão de processo, não energética). Alavancas: coprocessamento, clínquer substituto, CCUS.
Mineração: Emissões distribuídas entre frota diesel, processamento mineral e energia. Desafio: operações remotas com dados dispersos.
Química: Emissões de processo complexas com múltiplas reações químicas. Requer granularidade por linha de produção.
Energia: Termelétricas dominam Escopo 1. Renováveis focam em Escopo 3 (cadeia de suprimentos de equipamentos).
Da planilha à inteligência: como a IA transforma o inventário
O modelo tradicional de inventário — consultoria anual, planilhas manuais, relatórios retrospectivos — não escala para o novo cenário regulatório. Com SBCE, CBAM e CSRD exigindo dados contínuos, auditáveis e granulares, a automação se torna infraestrutura crítica.
O CarbonOS da Carbonova opera com agentes de IA especializados que automatizam cada etapa:
Coleta: O Signal Ingest Agent conecta-se a ERP, SCADA, IoT e medidores para normalizar dados de múltiplas fontes.
Cálculo: O Carbon Intelligence Agent calcula emissões continuamente usando +50 mil fatores de emissão globais, detecta anomalias e mantém o ledger de carbono atualizado.
Reporte: O Compliance Agent gera relatórios prontos para GHG Protocol, ISO 14064, SBCE, CBAM, CSRD e CDP simultaneamente.
Ação: O Decarbonization Planner sugere trajetórias de redução baseadas nos dados do inventário, com curvas de abatimento marginal e cenários financeiros.
O resultado: inventário que não é apenas um relatório anual, mas uma ferramenta de gestão operacional em tempo real.
Próximos passos para sua empresa
1. Avalie sua situação: Sua empresa emite mais de 10 mil tCO₂e/ano? Exporta para a UE? Tem investidores que exigem CDP/ESG?
2. Defina limites e metodologia: Escolha entre controle operacional ou financeiro. Adote GHG Protocol como base.
3. Mapeie fontes de dados: Identifique onde estão os dados de consumo de combustíveis, energia, processos e cadeia de valor.
4. Automatize: Substitua planilhas por plataforma integrada que conecte dados operacionais ao cálculo de emissões.
5. Use dados para decidir: Transforme o inventário de exercício de compliance em ferramenta de redução de custos e geração de receita.
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