Descarbonização da Siderurgia Brasileira: Do Carvão Vegetal ao Hidrogênio Verde

O perfil de emissões da siderurgia
A siderurgia é responsável por ~7% das emissões globais de CO₂. No Brasil, o setor emite cerca de 60-80 milhões de tCO₂e/ano. As emissões concentram-se no Escopo 1, principalmente na redução do minério de ferro: o processo químico que transforma óxido de ferro em ferro metálico usando carbono como redutor (coque ou carvão vegetal).
Rotas de produção: Alto-forno + BOF (rota integrada): usa coque/carvão como redutor. ~1,8-2,2 tCO₂/t aço com coque; ~0,6-1,0 tCO₂/t aço com carvão vegetal. Forno elétrico a arco (EAF): usa sucata como matéria-prima. ~0,3-0,5 tCO₂/t aço (depende da rede elétrica). Redução direta (DRI) + EAF: usa gás natural ou H2 como redutor. Com H2 verde: ~0,05-0,1 tCO₂/t aço.
A vantagem brasileira: carvão vegetal
O Brasil é o único grande produtor de aço que usa carvão vegetal (charcoal) como redutor em escala industrial. O carvão vegetal de florestas plantadas (eucalipto) é considerado neutro em carbono pelo IPCC, pois o CO₂ emitido na combustão foi previamente capturado pelo crescimento das árvores.
Isso dá ao aço brasileiro uma pegada de carbono significativamente menor que o aço produzido com coque na China, Índia ou Europa. Com o CBAM, essa vantagem se traduz em economia direta: exportadores que comprovarem emissões reais menores que os default values da UE pagarão menos.
Mas há desafios: garantir rastreabilidade e certificação do carvão vegetal (evitar desmatamento ilegal), escalar a produção sustentável, e comprovar a neutralidade de carbono com dados auditáveis.
Roadmap de descarbonização
Curto prazo (2025-2028): Maximizar uso de carvão vegetal certificado. Otimizar eficiência de altos-fornos. Aumentar proporção de sucata (rota EAF). Implementar monitoramento contínuo de emissões para comprovar dados reais no CBAM. Instalar sistemas de recuperação de calor.
Médio prazo (2028-2035): Expandir capacidade de fornos elétricos a arco. Projetos piloto de DRI com biometano. Início de testes com H2 verde em redução. PPAs de energia renovável para EAFs. Economia circular: uso de escórias e resíduos.
Longo prazo (2035+): DRI com H2 verde em escala (rota HyDRI). CCUS para emissões residuais de processos. Aço net-zero certificado como produto premium. Brasil como hub de aço verde pela combinação de energia renovável + carvão vegetal + H2.
O impacto financeiro: CBAM e SBCE
Com o CBAM entrando em fase definitiva em 2026, siderúrgicas brasileiras que exportam para a UE enfrentam uma escolha: comprovar emissões reais (menores, com carvão vegetal) ou aceitar default values europeus (muito mais altos). A diferença pode representar 30-60% de economia nos custos CBAM.
No SBCE, siderúrgicas com emissões acima do teto setorial precisarão comprar cotas. Aquelas que investirem em descarbonização terão cotas excedentes para vender — transformando redução em receita.
O papel do monitoramento contínuo
Para capturar o valor da vantagem competitiva brasileira, siderúrgicas precisam de: rastreabilidade do carvão vegetal (origem, certificação, neutralidade), cálculo de emissões por produto e instalação (CBAM), monitoramento contínuo (não apenas anual), e trilha de auditoria para verificação de terceiros.
O CarbonOS integra dados de processos siderúrgicos (altos-fornos, aciaria, laminação), rastreia insumos (carvão vegetal, coque, sucata), calcula emissões por tonelada de aço, e gera relatórios CBAM e SBCE automaticamente.
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